Casa Tecnologia Um ano depois vender a Highline, Pátria volta ao mercado de telecom

Um ano depois vender a Highline, Pátria volta ao mercado de telecom

por Alberto Lima


Foto: Bruno do Amaral

O ex-controlador da Highline Brasil, o Pátria Investimentos, criou uma provedora de soluções de infraestrutura wireless no País. Batizada de Winity, a empresa tem foco em ativos de rede celular, sistemas de cobertura indoor e “novas tecnologias de conectividade móvel”. Para tanto, a companhia pretende investir mais de R$ 3 bilhões “nos próximos anos”.

O capital vem do montante de R$ 10 bilhões recentemente captados do Fundo Pátria Infraestrutura IV, que a empresa alega ser o maior fundo do setor para a América Latina. A ideia é capturar a demanda por expansão de infraestrutura de suporte à implantação de tecnologia 4G e 5G e por consumo de dados.

No comunicado divulgado nesta quinta-feira, 19, a companhia não informou, contudo, como será essa estratégia: se por meio de infraestrutura passiva, como torres, ou se há intenção de entrar no atacado com aquisição de espectro. Mas é um retorno ao foco em telecomunicações para o Pátria. A empresa controlava a Highline (que ainda consta como se fosse um ativo no site da investidora) com a joint-venture com o Grupo Promon, a P2 Brasil. Recentemente, houve uma tendência de saída: o Pátria detinha um portfólio de torres, que foi vendido para a SBA em 2017, antes que a própria Highline fosse vendida para a Digital Colony em 2019. 

Segundo apuração do jornal Valor Econômico nesta quinta-feira, a Winity já estaria nascendo com um contrato de torres com a TIM. TELETIME procurou tanto a operadora quanto o Pátria, mas, até o fechamento desta matéria, não foi possível confirmar a informação ou entender a estratégia por trás do anúncio.

Sinergias

Quem vai comandar a Winity é Sergio Bekeierman, que foi diretor do braço de infraestrutura do Pátria e teve passagem pela Highline e pela Vogel Telecom. Esta última é uma operadora voltada ao mercado móvel e controlada pelo Pátria, que tem ainda entre os ativos de infraestrutura no Brasil a plataforma de data centers ODATA (também com atuação na Colômbia e no México). 

Porém, cada uma dessas empresas tem um “dono” diferente: no caso da Winity, é o Fundo Pátria Infraestrutura IV. Já a Vogel Telecom, seria do Fundo 2, e a ODATA, do Fundo 3. Por conta disso, não necessariamente haveria sinergias entre essas empresas. Além disso, há uma perspectiva 

O Pátria, por sua vez, tem parceria com o poderoso grupo de investimentos norte-americano Blackstone. 

Contexto

“Enxergamos um alto potencial de crescimento para o setor nos próximos anos em razão do cenário de transformação digital e, particularmente, com o desenvolvimento da tecnologia 5G, que demandará das empresas a capacidade de desenvolver novas soluções de infraestrutura wireless”, declarou no comunicado o sócio do Pátria, Felipe Pinto.

O anúncio do grupo de investimentos acontece em um momento em que há uma discussão de alterações regulatórias para modificar as regras do mercado de atacado no Brasil. A Lei das Antenas foi regulamentada recentemente por decreto com a inclusão do silêncio positivo e direito de passagem. Por sua vez, a Anatel encerrou nesta semana consulta pública na qual propõe a regulação das redes neutras, incluindo com possibilidade de redes móveis.

Além disso, o mercado secundário de espectro foi incluso no decreto que regulamentou o novo modelo de telecomunicações, a Lei nº 13.879/2019. O próprio leilão do 5G (e a demanda de adensamento de sites) e perspectivas de um mercado em consolidação com a venda da Oi Móvel poderiam também motivar o Pátria a voltar a esse mercado.



Fonte Teletime

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