Tratamento com plasma convalescente pode reduzir mortes por Coronavírus


A terapia com plasma convalescente usa o sangue de pessoas recuperadas de uma doença para ajudar outras com a mesma enfermidade. Mas por que o tratamento com plasma convalescente?

 

Antes de mais nada, o sangue doado por pessoas recuperadas da COVID-19 contém anticorpos contra o vírus que o causa. Esse sangue doado é processado para remover as células sanguíneas, deixando para trás o líquido (plasma) e os anticorpos. Estes podem ser administrados a pacientes com COVID-19 para aumentar a sua capacidade de combater o vírus.

O que a terapia de plasma convalescente faz?

A terapia de plasma convalescente pode ajudar as pessoas a se recuperarem da COVID-19 por diminuir a gravidade ou encurtar a duração da doença.

Em março desse ano, depois que vários jogadores da National Basketball Association (NBA) testaram positivo para o coronavírus, pelo menos quatro jogadores se ofereceram para doar seu sangue para a ciência.

Ao se recuperarem da COVID-19, seus sangues e os anticorpos neles contidos foram usados para um tratamento experimental chamado plasma convalescente.

Na época, um programa de plasma para convalescença liderado pela Clínica Mayo estava apenas começando. Desde então a Clínica Mayo já forneceu a dezenas de milhares de pacientes COVID-19 o acesso a essa terapia.

Em um estudo pré-impresso publicado em 12 de agosto, cientistas analisaram mais de 35.000 pacientes e disseram que o tratamento parecia mostrar alguns benefícios para o tratamento precoce de pessoas com casos graves da doença.

“A transfusão de plasma convalescente com níveis mais altos de anticorpos para pacientes COVID-19 hospitalizados reduziu significativamente a mortalidade em comparação com transfusões com níveis baixos de anticorpos”, escreveram os cientistas no artigo.

A terapia realmente melhora os resultados de pacientes com COVID-19?

doando sangue

Por outro lado, críticos à pesquisa apontaram que ela foi feita sem estabelecer grupos de placebo.

Um desses críticos, Steven Nissen, é um pesquisador clínico da Cleveland Clinic, e disse ao STAT que a falta de ensaios de alta qualidade na tomada de decisões clínicas sobre como tratar pacientes com infecção por coronavírus é um constrangimento nacional.

“Aqui temos outro estudo não randomizado, financiado pelo National Institutes of Health (NIH) e não interpretável”, relata Nissen.

Mesmo assim, a FDA deu autorização de uso emergencial para plasma convalescente como tratamento para COVID-19, após afirmar alguns dias antes que a agência não tinha dados suficientes para emitir tal declaração.

Embora o plasma convalescente seja o tratamento mais recente a dominar o ciclo de notícias sobre a COVID-19, a terapia tem uma longa história que remonta a mais de 100 anos.

No final do século 19 e início do século 20, o sangue convalescente era usado para tratar o sarampo, a gripe espanhola e muitas outras doenças.

Antes das vacinas, se houvesse uma epidemia de sarampo, o sangue convalescente parecia ser uma terapia eficaz, diz Susan Lederer, historiadora médica da Universidade de Wisconsin-Madison.

Com informações de Smithsonian Magazine e Clínica Mayo.

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Fonte Socientifica