Casa Ciências Telescópio registra morte por espaguetificação de estrela engolida por buraco negro

Telescópio registra morte por espaguetificação de estrela engolida por buraco negro

por Alberto Lima


Você não quer cair em um buraco negro. Certamente é bastante dolorido. Você se espaguetificaria, isto é, seria esticado, como um espaguete, liberando uma enorme quantidade de energia. Recentemente, telescópios do ESO (sigla em inglês para Observatório Europeu do Sul), no Chile, registraram a espaguetificação.

O fenômeno ocorre graças à fortíssima gravidade de um buraco negro. Aqui na Terra, nem ao menos sentimos a variação da gravidade com a altitude. No entanto, em um buraco negro falamos de outra escala de força. Portanto, uma pequena diferença de altitude causa uma grande variação na força gravitacional. Em outras palavras, seu pé se atrai com muito mais força do que sua cabeça, e seu corpo é esticado nesse processo.

Isso, é claro, não ocorre apenas com um corpo humano. Ao contrário do que muitos pensam, um buraco negro não engole uma estrela de uma vez. Um buraco negro, então, engoliria até mesmo uma estrela maior do que seu próprio tamanho. Como sua massa é extremamente densa, há muita massa em uma área não muito grande.

A estrela é, portanto, também espaguetificada. Ao se atrair, forma-se uma fina linha em espiral, que caminha até o horizonte de eventos do buraco negro. O horizonte de eventos é o ponto sem volta – de onde nem mesmo a luz escapa. Quando se forma uma quasar, a energia liberada supera uma galáxia inteira.

Espaguetificação: rompendo marés

O nome técnico, ou seja, o nome bonito para a espaguetificação é evento de ruptura de marés. Os pesquisadores publicaram o estudo onde descrevem o evento em um artigo no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, editado pela Royal Astronomical Society. 

“A ideia de que um buraco negro “sugando” uma estrela próxima parece saída da ficção científica. Mas é exatamente o que acontece num evento de ruptura de marés”, explica em um comunicado o autor principal do estudo Matt Nicholl, pesquisador na Royal Astronomical Society na Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

Até o momento, trata-se da espaguetificação mais próxima já encontrada. Mas isso não quer dizer que seja exatamente próximo. A mais de 215 milhões de anos-luz de distância da Terra, o fenômeno que dilarerou a estrela ocorreu junto a um buraco negro supermassivo.

“Quando uma estrela azarada se aproxima demais de um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia, a extrema atração gravitacional exercida pelo buraco negro desfaz a estrela em finas correntes de matéria”, explica Thomas Wevers, um dos autores.

Descobertas

Embora saibamos bastante sobre eventos de rupturas de marés, graças aos cálculos teóricos, há muito o que aprender com observações práticas. E esse caso não foi diferente. 

Ao longo de alguns meses, então, os pesquisadores observaram, utilizando Very Large Telescope (VLT) e o New Technology Telescope (NTT), ambos do ESO, o evento, chamado de AT 2019qiz. Eles utilizaram diversas frequências eletromagnéticas – ultravioleta, visível, raios-x e rádio.

“Descobrimos que, quando um buraco negro devora uma estrela, pode lançar uma quantidade de material para o exterior, que nos obstrui a visão”, explica a co-autora Samantha Oates, também pesquisadora e professora pela Universidade de Birmingham.

O material é lançado pela força da “explosão”, em um paralelo. Quando libera-se a energia, então, força-se, para o exterior, os restos da estrela que ainda rondam o buraco negro, formando uma densa nuvem de poeira cósmica e gases em volta.

“Como acompanhamos o evento cedo, pudemos ver a cortina de poeira e restos sendo criada à medida que o buraco negro lançava para o exterior uma poderosa corrente de matéria com velocidades de até 10000 km/s”, explica Kate Alexander. “Esta única ‘espiada atrás da cortina’ nos proporcionou a primeira oportunidade de localizar a origem do material ocultante e seguir em tempo real como é que engolfa o buraco negro”.

O estudo foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Com informações de ESO e Space.com.



Fonte Socientifica

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