Casa Ciências Primeiros casos de lepra em populações de chimpanzés

Primeiros casos de lepra em populações de chimpanzés

por Alberto Lima


Cientistas acabam de descobrir que duas populações de chimpanzés da Guiné-Bissau e da Costa do Marfim têm animais com lepra. Os primatas dos parques nacionais Cantanhez e Taï possuem lesões claras da doença por todo o corpo. Esses, inclusive, são os primeiros casos registrados de lepra em chimpanzés.

(Imagem de Penny Edmonds por Pixabay)

A lepra é causada pelo organismo Mycobacterium leprae e pelo recém-descoberto Mycobacterium lepromatosis. Contudo, essa doença atinge quase somente humanos, com exceção de alguns animais selvagens como tatus e esquilos. Os pesquisadores que fizeram o diagnóstico dos macacos ainda não sabem ao certo como os animais pegaram a doença. Isso porque esses macacos são de populações selvagens que não têm contato com seres humanos.

Ainda assim os pesquisadores registraram diversas imagens das lesões causadas nos animais. Ademais, amostras de fezes comprovaram a existência da bactéria que causa a doença nesses animais. Vale ressaltar, que poucos animais em cada comunidade desenvolveram a doença. Nesse sentido, os pesquisadores acreditam que a lepra esta se espalhando lentamente nos chimpanzés, apesar da transmissão acontecer pelo contado direto.

Ainda se sabe muito pouco sobre os efeitos da doença nesses animais. Como dito antes, a lepra é uma doença tipicamente humana com apenas alguns outros reservatórios selvagens. Além disso, incubação da doença pode ser muito longa. Ou seja, até que os primeiros sintomas apareçam, a doença pode ficar no corpo de uma pessoa por até 30 anos!

Uma vez que as populações observadas não tiveram nenhum contato direto com humanos, as hipóteses ficam mais restritas. Contudo, cerca de 2,3% dos casos de lepra no mundo são da África Ocidental. A doença, inclusive é uma patologia tropical bastante negligenciada que causa em torno de 210.000 novos casos por ano.

A ameaça da lepra para as populações de chimpanzés

Provavelmente os chimpanzés tiveram contato com um outro animal que acabou transmitindo a doença para os primatas. Inclusive, os pesquisadores responsáveis pelo estudo estão analisando também as populações de roedores das mesmas reservas ecológicas.

Apesar de ser muito alarmante, essa doença ainda não é a maior ameaça para os chimpanzés. Acontece que esses primatas também estão sofrendo – como qualquer outro animal selvagem – pela perda de hábitat e impactos humanos. Ainda assim essas populações terão monitoramento constantemente para avaliar o impacto para os primatas. Vale ressaltar, ainda, que as duas populações são geograficamente distantes e, portanto, será preciso também avaliar características de ambas as reservas.

É preciso ter cuidado ainda porque esse não é o primeiro caso de doenças humanas que infectam animais, ou vice-versa. O próprio Sars-CoV-2 era um vírus que infectava naturalmente animais e acabou infectando os humanos. No Brasil, por exemplo, os tatus são os principais reservatórios de Mycobacterium leprae, depois dos humanos. Assim, tanto a população de tatus pode sofrer severamente com a doença, quanto os animais podem ainda transmitir para os humanos.

(Imagem de Mike Goad por Pixabay)

Os tratamentos para a doença, aliás, ainda são muito rudimentares. Mesmo em humanos que recebem tratamento, os efeitos podem ser profundos. Isso porque a lepra afeta principalmente a pele e os tecidos nervos. Assim, essa bactéria pode causar deformações irreparáveis, bem como sequelas no sistema nervoso.

O artigo científico ainda não tem revisão completa e foi publicado no site BioRxiv.



Fonte Socientifica

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