Planta parasita escuta seu hospedeiro para florescer na hora certa


As cuscutas parasitas são plantas paradoxais. A princípio, a maioria das plantas confia nas folhas para reconhecer a época perfeita para florescer.

Já as cuscutas não têm folhas e nem raízes, nesse caso, mas ainda assim florescem na hora certa.

Como a planta parasita sabe a hora de florescer?

Trabalhos realizados anteriormente mostraram que as cuscutas sugam os nutrientes e a água do hospedeiro e, quando fazem isso, também captam os sinais químicos do hospedeiro.

Então, um estudo publicado no mês passado no Proceedings of the National Academy of Sciences apresenta evidências que as folhas do hospedeiro enviam o sinal de que é hora de florescer.

Consequentemente, a cuscuta entende esse sinal e também cria flores, relata Ariana Remmel para Chemical and Engineering News.

Existem 145 espécies diferentes de cuscutas.

Cada cuscuta começa sua vida como uma semente que brota uma raiz de ancoragem no solo. Em seguida, ela lança outra gavinha no ar.

A gavinha cresce até chegar a uma planta maior, e é nesse momento que a cuscuta se agarra a ela com apêndices adicionais chamados haustórios. Uma vez que a cuscuta segura seu hospedeiro com força, a raiz de ancoragem murcha.

Logo, a cuscuta usa seu haustório, em vez de folhas ou raízes, para sugar água e nutrientes de seu hospedeiro.

Qual a sua estratégia de reprodução?

Ao sugar os nutrientes, a planta parasita continua crescendo e lança mais trepadeiras finas que se agarram a mais plantas e mais galhos.

Eventualmente, uma cuscuta parece um emaranhado de trepadeiras.

Os botânicos se perguntaram sobre a estratégia da cuscuta para seu tempo de reprodução. Se ela espera muito, a planta hospedeira pode morrer antes que a cuscuta consiga produzir flores e sementes, escreve Jonathan Lambert para a Science News.

Se a cuscuta produzir flores muito cedo na temporada, ela não produzirá tantas sementes quanto o esperado.

Mas, prestando atenção à rede química da planta hospedeira, a cuscuta pode sentir o momento perfeito para se reproduzir.

A nova pesquisa sugere que os próprios sinais de floração das cuscutas ficam desativados, o que as força a confiar basicamente na planta hospedeira para saber a hora certa da reprodução.

Outro ponto importante é que a planta trepadeira desistiu de seu próprio mecanismo de floração para obter benefícios ecológicos, sincronizando seu tempo reprodutivo com o hospedeiro para maximizar seu tempo de crescimento, relata Jiangiang Wu, botânico do Instituto de Botânica Kunming da Academia Chinesa de Ciências.

Como o estudo foi realizado?

Em uma estufa de laboratório, os pesquisadores deixaram três espécies de trepadeiras soltas em plantas com diferentes épocas de floração para coincidir com seus hospedeiros.

Em seguida, a equipe criou hospedeiros geneticamente modificados. Eles não criam sinal de floração e foram emparelhados com cuscutas.

Sem sinal de florescimento do hospedeiro, nem o hospedeiro, nem a cuscuta floresceram.

Por último, os pesquisadores criaram uma versão verde fluorescente do produto químico sinalizador de floração, que forneceu evidências visuais de que os tecidos da planta com cuscuta podem absorver o produto químico e direcioná-lo para seus mecanismos de floração.

Como disse o patologista James Westwood, da Virginia Tech para a Science News, a sincronização da cuscuta e da planta hospedeira nunca foi tão claramente demonstrada como neste artigo de estudo.

 

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Fonte Socientifica