Pintura considerada falsa pode ser obra genuína de Rembrandt


Desde os anos 1980, o retrato intitulado Cabeça de um Homem Barbudo ficou guardado no depósito do Museu Ashmolean, da Universidade de Oxford, por suspeita de ser inautêntica.

Agora, o museu anunciou a quase confirmação de que a pintura foi criada na oficina de Rembrandt, talvez até pelo próprio mestre, segundo comunicado.

Obra autêntica de Rembrandt

imagem infravermelho da possível obra de Rembrandt

A curadora Van Camp há muito suspeitava que a pintura pudesse ser autêntica, relatou ao The Guardian.

Quando o Museu Ashmolean começou a se preparar para a exposição que examina a primeira década de trabalho do artista chamada “Jovem Rembrandt” — que será exibida no final desta semana — curadores e conservadores trouxeram o Homem Barbudo.

Então, Peter Klein, um dendrocronologista especializado em datar objetos de madeira examinando seus anéis de crescimento das árvores, recebeu essa obra para análise.

Dessa forma, Klein descobriu que o painel de madeira no qual a obra foi pintada veio de um carvalho derrubado na região do Báltico, entre 1618 e 1628.

De acordo com Martin Bailey do Art Newspaper, essa mesma madeira foi usada em duas outras obras de cerca de 1630: Andrômeda de Rembrandt, acorrentado às rochas e a obra do colaborador de Rembrandt, Jan Lieves, Retrato da mãe de Rembrandt.

Considerando o período de secagem da madeira, poderíamos datar firmemente o retrato para 1620-30, diz Klein no comunicado.

Estúdio de Rembrandt

auto-retrato de Rembrandt

Juntas, as evidências constituem ótimos argumentos para a atribuição da obra ao estúdio de Rembrandt.

Mas os pesquisadores precisam conduzir mais estudos para avaliar se o próprio artista elaborou a obra.

No início do ano, Brigit Kats explicou para a revista Smithsonian que o artista, assim como outros da época, tinha muitos alunos em seu estúdio estudando e copiando seu estilo distinto.

Muitos, inclusive, se tornaram artistas de sucesso depois e por seus próprios méritos.

A ampla influência do artista torna o discernimento de suas obras uma tarefa historicamente difícil.

Desde que o Projeto de Pesquisa Rembrandt foi fundado, no final dos anos 1960, ele vem tentando determinar a autenticidade de muitos possíveis Rembrandts.

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O Homem Barbudo

Parte de trás de possível obra de Rembrandt

Em 1951, o negociante de arte Percy Moore Turner legou o Homem Barbudo ao Museu Ashmolean.

Então, uma pequena etiqueta de leilão datada de 1777 e afixada na parte de trás identificou a obra como uma pintura de Rembrandt.

Mas em 1981, o Projeto de Pesquisa Rembrandt determinou que a obra foi concluída por um artista “fora do círculo de Rembrandt”.

O dendrocronologista diz que “apesar da pintura e das camadas de verniz descoloridas, pinceladas expressivas transparecem e transmitem o rosto perturbado”.

E acrescenta que estudos de cabeça como este são típicos do trabalho de Rembrandt em Leiden e foram avidamente coletados por contemporâneos.

Na declaração também foi observado pelo conservador Jevon Thistlewood, do Museu Ashmolean, pequenas partes da tela que foram pintadas por uma “mão desconhecida”.

Essas adições atrapalham consideravelmente a ilusão sutil de profundidade e movimento.

Após o fechamento da exposição “Jovem Rembrandt” em novembro, a equipe planeja realizar a restauração da obra.

Informações de Smithsonian Magazine.

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Fonte Socientifica