Pia Sundhage valoriza chance para observar novas atletas


Com as restrições para viagens devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), a maneira que a seleção brasileira de futebol feminino encontrou para aproveitar a próxima data Fifa, entre 14 e 22 de setembro, foi reunir o grupo para treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). Apesar de poder contar somente com atletas que atuam no Brasil, a técnica Pia Sundhage não se incomodou. Pelo contrário.

“Sou uma pessoa positiva, então, sempre vejo como positivo poder observar jogadoras mais jovens. Esperamos poder viajar em breve. Se não pudermos, faremos como agora. Sempre há como tirar o melhor proveito desses treinos e fazer algo diferente”, declarou a sueca, em entrevista coletiva transmitida pela CBFTV nesta quarta-feira (2).

A lista anunciada pela técnica tem 24 jogadoras, sendo que duas delas (as meias Yayá, do São Paulo, e Maria Eduarda, do Cruzeiro) normalmente são chamadas para a seleção sub-20. “[Convocá-las] é uma forma excelente de cooperarmos. Porque, no fim das contas, elas são preparadas para a seleção adulta. Enquanto isso, o Jonas [Urias, técnico da sub-20] também olha a equipe sub-17, da Simone [Jatobá]. Dá uma pequena misturada. Estou muito interessada em ver como as atletas mais jovens se ajustam ao jogo, pois a velocidade [no adulto] é diferente”, justificou Pia.

A treinadora sueca também explicou porque relacionou a atacante Chú, da Ferroviária, como defensora na convocação. “Para termos sucesso, precisamos tentar coisas novas. Lembro que, quando dirigi a seleção dos Estados Unidos, a Kelley O’Hara era atacante nos times universitários e tentamos fazer com que ela atuasse como lateral. Deu certo. Hoje, tentaremos isso com a Chú. Ela é uma jogadora extremamente veloz, vamos ver se dá certo”, argumentou, fazendo referência a uma jogadora bicampeã mundial e medalhista de ouro olímpica pelo time norte-americano.

Para convocar a seleção, Pia e a auxiliar Beatriz Vaz acompanharam, in loco, oito jogos das duas últimas rodadas da Série A1 do Brasileiro Feminino. Ela também esteve em treinos de algumas equipes ao longo da última semana. A técnica teve uma impressão positiva, do ponto de vista técnico, mas entende que os times do Brasil podem ter mais intensidade durante os 90 minutos.

“Estar ali [nos treinos] e falar com os técnicos e técnicas me deu mais informações sobre o jeito brasileiro. As melhores equipes têm intensidade muito boa nos treinos, mas o desafio é trazê-la para o jogo. É o que chamamos de desafiar a linha, aumentar o ritmo. O Lyon [da França, vencedor da Liga dos Campeões feminina], melhor time da Europa, é muito bom nisso. Esse é o nível que queremos alcançar”, concluiu.

Pia assumiu a seleção em 30 de julho de 2019. De lá para cá, ela dirigiu as brasileiras em 11 jogos, com seis vitórias, quatro empates e apenas uma derrota (em 7 de março deste ano para a França, na casa das rivais, em um torneio amistoso). No período, foram 26 gols marcados e somente cinco sofridos. Entre os resultados, destaque às quatro goleadas do período (5 a 0 na Argentina, 4 a 0 no Canadá e 6 a 0 e 4 a 0 no México) e à vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, atual vice-campeã mundial.



Fonte EBC