Pesquisadora brasileira bate recorde de internet em fibra óptica


Uma pesquisadora brasileira bateu recorde de velocidade de internet usando fibra óptica. A cientista, em seu trabalho, conseguiu uma conexão de quase 200 Tb/s (Terabits por segundo). Com essa velocidade, seria possível baixar mil filmes de tamanho Blu-ray (25 GB) em apenas um segundo.

Recorde de velocidade de internet batido por brasileira

Segundo especialistas, o feito terá utilidade na próxima geração da internet móvel, o 5G. Além disso, tem grande potencial de aplicação em manipulação de dados. A engenheira brasileira Lídia Galdino, residente em Londres, foi a líder da pesquisa, realizada durante dois anos por cientistas da University College London (UCL). O artigo foi publicado na revista IEEE.

Pesquisadora Lídia Galdino no laboratório.

Em média, as melhores conexões por fibra ótica disponíveis hoje são de cerca de 60 Tb/s. A conexão estabelecida pelos pesquisadores, igual a 178 Tb/s, é cerca de três vezes mais rápida. Ela bateu o recorde anterior de 150 Tb/s alcançado por pesquisadores japoneses.

Como alcançar a supervelocidade

A fibra óptica é um material fabricado a partir de vidro. Tem aplicação como um condutor de alto rendimento, para transmissão de sinais na internet. É um material que não sofre com interferências eletromagnéticas, e, por isso, ele é muito importante nos sistemas de comunicação e dados.

Em 1949, o matemático Claude Shannon definiu um limite teórico de velocidade de transmissão de dados. A velocidade alcançada nessa pesquisa chega perto do valor teorizado. Para ter uma noção, no Brasil o tempo médio estimado para baixar mil filmes HD é de cerca de 40 dias – mais de um mês. Mas, com a conexão da pesquisa, um mero segundo seria suficiente para transmitir essa quantidade gigantesca de dados.

Para conseguir essa velocidade, os pesquisadores trabalharam em hardware e em software. Eles conseguiram então criar uma tecnologia capaz de otimizar os sinais e corrigir inconsistências. Segundo Galdino, os cabos de fibra ótica precisam de amplificadores com intervalos específicos para que os sinais mantenham qualidade. Portanto, a equipe de pesquisadores desenvolveu um amplificador de sinal aprimorado.

Quanto ao software, otimizou-se a codificação dos dados. Dessa maneira, aproveitou-se com mais eficiência as propriedades da luz, como brilho e polarização dos comprimentos de onda. Como resultado, a velocidade de cada comprimento de onda melhorou muito.

Assim, ao combinar essas duas tecnologias, desenvolvidas pela equipe, foi possível alcançar o impressionante recorde.

Aplicação da tecnologia no futuro

Apesar de não se voltar para aplicação residencial, essa velocidade pode ter utilidade para atender a crescente demanda de internet. A pesquisadora explicou que uma transmissão de dados mais eficiente é importante para atender o maior consumo.

Esse assunto é ainda mais relevante nos tempos de pandemia atuais. Com o coronavírus, cada vez mais pessoas passaram a usar a internet simultaneamente. Muitas pessoas passaram a fazer chamadas de vídeo e ficar mais tempos nas redes sociais. Além disso, no ensino, muitos alunos estão assistindo aulas online. O padrão de consumo de internet no Brasil mudou drasticamente devido ao isolamento social.

Por fim, espera-se que no futuro seja possível a conexão de um número enorme de dispositivos interligados, numa rede chamada Internet das Coisas (IoT). A nova internet móvel, o 5G, provavelmente terá velocidade máxima de cerca de 10 Gb/s (Gigabits por segundo).

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Fonte Socientifica