Casa Ciências Pela primeira vez em 3.000 anos, o diabo-da-tasmânia retorna à Austrália

Pela primeira vez em 3.000 anos, o diabo-da-tasmânia retorna à Austrália

por Alberto Lima


Os carnívoros marsupiais estão de volta à Austrália continental. De fato, o diabo-da-tasmânia estava extinto e retornou pela primeira vez após 3.000 anos.

Recentemente, um projeto de reintrodução libertou 11 diabos-da-tasmânia em um santuário de vida selvagem de 1.000 acres no Parque Nacional Barrington Tops, em Sidney, relata Lisa Cox para o Guardian.

Em março, o projeto “rewilding” já havia liberado também 15 desses animais no que eles chamaram de lançamento suave.

Os diabos-da-tasmânia são os maiores marsupiais que restaram na Terra, mesmo sendo menores que um cachorro pequeno – pesam cerca de 13 quilos.

Apesar de seu tamanho, eles são fortes e esmagam ossos com a ferocidade e força de sua mordida.

Retorno do diabo-da-tasmânia

O motivo pelo qual o diabo-da-tasmânia estava extinto da Austrália continental é desconhecido, mas a caça humana pode ter eliminado muitas das espécies que esses animais comiam, de acordo com a National Geographic.

Também a mudança do clima e a introdução do animal dingo ao ambiente podem ter um papel na extinção do diabo-da-tasmânia, sugere o jornal The Guardian.

Ainda assim, uma população desses animais sobreviveu na Tasmânia, uma grande ilha na ponta sudeste da Austrália, embora eles continuem lutando para sobreviver nas últimas décadas.

Descobertos em 1996, o diabo-da-tasmânia foi atacado por um câncer mortal e contagioso.

Infelizmente, eles transmitem uns para os outros pelo rosto, através de mordidas, lutas e acasalamento, de acordo com a Arca Aussie, um dos grupos conservacionistas que lideram a reintrodução.

O câncer extinguiu cerca de 90% da população de diabos-da-tasmânia e deixou apenas 25.000 na natureza.

Ajuda a outras espécies ameaçadas

Especialistas em conservação na Tasmânia trabalham para isolar os animais saudáveis dos doentes e para criar populações saudáveis.

diabo-da-tasmania bebê

Trazer diabos-da-tasmânia de volta ao continente australiano também pode ajudar a enfrentar outra ameaça ecológica representada por gatos domésticos e raposas.

A princípio, os colonizadores europeus introduziram essas espécies na Austrália do século 18, porque elas não são nativas do continente.

Ainda mais, os dingos ajudavam a manter essas populações sob controle, mas como eles foram extintos na última década, o número de gatos e raposas disparou.

Além disso, seus impactos para a vida selvagem nativa são devastadores.

Ou seja, os gatos na Austrália matam mais de 2 bilhões de animais selvagens a cada ano; em apenas um dia, eles matam cerca de 1,3 milhão de pássaros, 1,8 milhão de répteis e mais de 3,1 milhões de mamíferos, informou a Live Science.

Porém, o diabo-da-tasmânia atrapalha seus hábitos de caça, então pode deter esse predador.

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Já a raposas, uma prova de que elas podem ser contidas agora na Austrália continental é que elas nunca conseguiram ser introduzidas na Tasmânia – possivelmente por causa dos diabos-da-tasmânia.

Embora o diabo-da-tasmânia seja carnívoro, ele seria menos prejudicial para a biodiversidade nativa do que gatos ou raposas, pois são marsupiais. Isto é, eles têm uma taxa metabólica mais baixa do que os carnívoros placentários e não precisam se alimentar com tanta frequência.

Eles também preferem se alimentar de animais mortos, o que diminui ainda mais o impacto sobre os recursos de um ecossistema.

Informações de Live Science e Smithsonian Magazine.



Fonte Socientifica

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