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Pegadas humanas de 120.000 anos descobertas na Arábia Saudita

por Alberto Lima


Cerca de 120.000 anos atrás, um pequeno bando de Homo sapiens bebeu e colheu forragem em um lago raso no que hoje é o norte da Arábia Saudita, eles acabaram deixando suas pegadas para trás. Esse lugar também era frequentado por camelos, búfalos e elefantes maiores do que qualquer espécie vista hoje.

Essas pessoas podem ter caçado os grandes mamíferos, mas não ficaram no mesmo lugar por muito tempo. Suas jornadas foram mais longas.

Esta cena detalhada foi reconstruída por pesquisadores em um novo estudo publicado na Science Advances, após a descoberta de antigas pegadas de humanos e animais no Deserto de Nefud.

Rotas de nossos ancestrais

A descoberta do estudo lança uma nova luz sobre as rotas que nossos ancestrais tomaram conforme se espalharam pela África.

Hoje, a Península Arábica tem desertos vastos e áridos e são inóspitos, mas para os povos primitivos e animais que eles caçavam, as condições eram bem diferentes.

Pesquisas na última década mostram que a variação natural do clima que modificou o ambiente radicalmente.

Então, a Península Arábica experimentava condições muito mais verdes e úmidas em um período conhecido como o último interglacial.

Ainda mais, os desertos que dominam o interior da península tinham extensos campos, lagos e rios de água doce permanentes em algumas épocas do passado, explicou o coautor do estudo Richard Clark-Wilson, da Royal Holloway.

As antigas pegadas de humanos foram descobertas após a erosão de sedimentos sobrejacentes em um antigo lago apelidado de ‘Alathar’ (que significa “o traço” em árabe) durante o trabalho de PhD, em 2017, do primeiro autor do artigo Mathew Stewart. Ele é do Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha.

Evidência fóssil em antigas pegadas humanas

Stewart relata que as pegadas são uma forma única de evidência fóssil, porque são como instantâneos do tempo e normalmente representam horas ou dias, uma resolução que eles tendem não obter em outros registros.

As impressões foram datadas usando uma técnica chamada luminescência estimulada ótica que espalha luz nos grãos de quartzo enquanto mede a quantidade de energia emitida por eles.

impressões de pegadas

No total, sete das centenas de impressões descobertas foram identificadas com segurança como sendo de hominídeos, incluindo quatro que, pela orientação semelhante, distâncias entre si e diferenças de tamanho, foram interpretadas como dois ou três indivíduos viajando juntos.

Os pesquisadores acreditam que essas impressões pertencem a humanos modernos, e não neandertais, por algumas razões. Primeiro, nossos primos extintos não estavam presentes na região do Oriente Médio na época.

Segundo, com base em estimativas de estatura e massa inferidas das impressões.

Ao mesmo tempo, Stewart e os pesquisadores sabem que os humanos estavam visitando este lago junto aos animais da época e sem ferramentas de pedra, o que é incomum na área.

VEJA TAMBÉM: Ferramentas pré-históricas de 480.000 anos descobertas na Inglaterra

Isso teria indicado que os humanos fizeram um assentamento de longo prazo por lá, seguindo a manada de elefantes e outros animais pela região, dizem os pesquisadores.

Enfim, parece que essas pessoas estavam em busca de recursos hídricos e provavelmente caçavam os animais também.

Em síntese, o novo artigo demonstra que rotas interiores pela Península Arábica gramada e seguindo por lagos e rios podem ter sido particularmente importantes para a dispersão humana para fora da África, diz Stewart.

O estudo foi publicado na Science Advances, informações da Science Alert e Science News.

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Fonte Socientifica

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