Casa Ciências Origem do asteroide Bennu possuía rios, conforme novas evidências

Origem do asteroide Bennu possuía rios, conforme novas evidências

por Alberto Lima


Cheio de novas revelações durante os últimos meses, o asteroide Bennu se tornou o queridinho dos cientistas. Mas isso tem motivos. Em 20 de outubro, a missão OSIRIS-REx, da NASA, coletará amostras do asteroide. Ela os trará para a Terra (sua chegada será apenas em 2023). Agora, com a descoberta de que o pai do asteroide Bennu possuía rios, ele se torna ainda mais fascinante.

Bennu permaneceu quase intocado desde a formação do sistema solar, embora haja uma pequena troca de materiais com outros corpos. De qualquer forma, nem se compara com a quantidade de material recebido pela Terra. Portanto, estudar Bennu nos ajudaria a entender um pouco do passado da Terra. Buscar por elementos químicos por lá traria insights sobre o surgimento da vida em nosso planeta.

Ao final de 2018, OSIRIX-REx entrou na órbita do asteroide. Desde então, coleta dados do alto, e ainda não pousou. Mas o pouso e a coleta de materiais estão próximos. Mas antes de mergulhar no desconhecido, os pesquisadores responsáveis tentam descobrir o que exatamente encontrarão ali, por isso essa demora toda.

O pai de Bennu e os rios

Quando se diz sobre a evidência de rios, não é sobre Bennu em si, mas sobre seus “antepassados”. O asteroide é, em resumo, uma pilha de entulho espacial surgida após o choque de dois outros corpos há muito tempo. Os veios de carbonato, evidências da passagem de água corrente, provavelmente são da época em que Bennu ainda não existia. O trabalho foi descrito em uma série de seis artigos, publicados nas revistas Science e Science Advances.

As evidências indicam a presença de material hidratado, ou seja, um pouco de água até os dias de hoje, além de material orgânico. Eles provavelmente estarão presentes na amostra coletada em 20 de outubro. A forma do carbono presente nesse material, conforme acreditam os cientistas, é parecida com a que encontra-se de maneira bastante frequente na matéria orgânica na Terra.

Asteroide Bennu. (Créditos da imagem: NASA / Goddard / University of Arizona).

Rastreando carbonatos

“A abundância de material contendo carbono é um grande triunfo científico para a missão. Agora estamos otimistas de que iremos coletar e retornar uma amostra com material orgânico – um objetivo central da missão OSIRIS-REx”, explica em um comunicado de imprensa Dante Lauretta, principal pesquisador da missão na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Vale lembrar que a presença de material orgânico não necessariamente representa vida. Material orgânico cria-se também por meios geológicos. E é exatamente essa a origem dos minerais carbonáticos de Bennu – geológica. O intuito não é descobrir vida fora da Terra, mas encontrar os meios pelos quais a vida na Terra surgiu. A matéria orgânica precede a vida, e não o contrário.

Os minerais de carbonato precipitam, comumente, quando em sistemas hidrotérmicos. É dessa forma que eles geram um rastro com a passagem da água, formando os veios. Do alto, esses veios se parecem, então, com linhas brilhantes. É nessa região que o pouso está programado. “Se as veias em Bennu são carbonatos, o fluxo de fluido e a deposição hidrotérmica no corpo pai de Bennu teriam ocorrido em escalas de quilômetros por milhares a milhões de anos”, explicam os pesquisadores em um dos estudos.

Material puro

Além de que a origem do asteroide Bennu possuía rios, os cientistas também descobriram que a região da cratera Nightingale, onde a espaçonave pousará, é bastante virgem. Apenas recentemente ela foi exposta ao espaço, com a desintegração de Bennu. Isso significa que o material é bastante puro, tornando-o consideravelmente fiel ao que era a composição dos corpos da nossa região do sistema solar há milhões ou bilhões de anos. 

As análises do campo gravitacional ainda indicam que a distribuição de matéria por Bennu é bastante irregular. Portanto, algumas regiões provavelmente possuem densidades muito diferentes umas das outras. Os cientistas estão curiosos para compreender um pouco mais sobre Bennu. A sonda deve partir do asteroide em meados de 2021 e chegará na Terra em setembro de 2023.

Os estudos foram publicados nos periódicos Science e Science Advances. Com informações de OSIRIX-REx Asteroid Mission/NASA e Futurism.



Fonte Socientifica

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