Casa Ciências O que há atrás de um buraco negro? Suposições além da ficção científica

O que há atrás de um buraco negro? Suposições além da ficção científica

por Alberto Lima


Buracos negros são objetos de grande mistério e fascínio para os cientistas, pois parecem desafiar as leis da física. Hoje sabemos que a existência deles não é mera ficção científica. Portanto, uma das perguntas que mais intrigam os astrofísicos é: o que há atrás de um buraco negro?

Atrás do buraco negro (e além)

Para os físicos, a ideia de que você pode passar por um buraco negro parece apenas fantasia. Infelizmente, devido à enorme gravidade, qualquer pessoa que se aproximasse de um seria feita em pedaços.

Ao passar pelo objeto, os cientistas dizem que um corpo seria sujeito à “espaguetificação”, que é a sua redução a fios de átomos; assim, o objeto seria totalmente esmagado.

VEJA MAIS: O que aconteceria se você caísse em um buraco negro?

Apesar de que os cientistas dizem ser impossível passar por um buraco negro e sair ileso, eles continuam especulando sobre o que teria além do misterioso objeto. Então vamos dar uma olhada no que os cientistas supõem que exista atrás.

1. Passagem para outras galáxias

Ao longo dos anos, os cientistas investigaram a possibilidade de que os buracos negros sejam buracos de minhoca para outras galáxias.

Essa ideia já existe há um bom tempo. Em 1935, Einstein se juntou a Nathan Rosen para teorizar pontes que conectam dois pontos diferentes no espaço-tempo. Mas na década de 1980, o físico Kip Thorne até levantou uma discussão sobre se os objetos poderiam viajar fisicamente através deles.

VEJA MAIS: Buracos negros são buracos de minhoca disfarçados?

Mas não parece provável que existam buracos de minhoca. Os especialistas dizem que não observamos objetos em nosso universo que possam se tornar buracos de minhoca à medida que envelhecem. O físico Thorne disse  que, por enquanto, as viagens por esses túneis permanecem na ficção científica.

2. Leva a um buraco branco

Agora, se a passagem para outras galáxias – ou até para outros universos – for possível, certamente deve haver algo oposto ao buraco negro no outro lado. Ao contrário de um buraco negro, um buraco branco permitiria que a luz e a matéria escapassem, mas não que entrassem.

A teoria do buraco branco foi publicada pelo cosmologista russo Igor Novikov em 1964. Ele propôs que um buraco negro se conecta a um buraco branco que existe no passado.

Os cientistas continuam a estudar a potencial conexão entre buracos negros e brancos. Em novas pesquisas, físicos encontraram uma métrica que satisfaz as equações de Einstein além de uma região finita do espaço-tempo. Nessa região, a matéria colapsa em um buraco negro e, em seguida, emerge de um buraco menor.

Em outras palavras, todo o material que os buracos negros “engolem” pode ser expelido, e assim os buracos negros podem se tornar buracos brancos.

3. Não leva a lugar nenhum

Isso mesmo, o buraco negro poderia não levar a lugar nenhum, afinal. Essa é a chamada “hipótese do firewall do buraco negro”. Ela diz que a mecânica quântica poderia transformar o horizonte de eventos em uma “parede gigante de fogo” e qualquer coisa que entrasse em contato queimaria imediatamente. Ou seja, os buracos negros não levariam a lugar nenhum, já que nada poderia entrar.

O problema nisso é a violação à teoria geral da relatividade de Einstein. Além disso, a hipótese poderia minar a teoria quântica de campos ou sugerir que informações podem ser simplesmente perdidas.

Buracos negros são reais?

Pouco se sabe que a ideia do buraco negro surgiu ainda no século XVIII. Em 1783, o geólogo inglês John Michell propôs a existência de um corpo tão massivo que nada poderia escapá-lo. No entanto, o conceito só foi formalizado após a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, publicada em 1915.

Logo após a publicação do artigo, em 1916, o matemático Karl Schwarzchild resolveu as equações contidas na teoria e chegou a um resultado intrigante.

De acordo com seu estudo, deveria haver um objeto tão denso que criaria um campo gravitacional gigantesco. Além disso, próximo à sua superfície, esse campo tenderia ao infinito. Sendo assim, nada, nem mesmo a luz poderia escapá-lo, portanto o objeto – praticamente um buraco – deveria ser negro. Daí surgiu o nome: Buraco Negro.

Só na década de 30 surgiu a ideia de que os buracos negros poderiam ser resultado de estrelas que entram em colapso. Em 1973, astrofísicos sugeriram a descoberta do primeiro buraco negro, que se tratava de um astro capaz de emitir raios X.

Foi apenas mais recentemente, em 2016, que os cientistas divulgaram a detecção das primeiras ondas gravitacionais – um fenômeno previsto pela relatividade geral. Essa seria então uma importante evidência para a existência de buracos negros.

fotografia buraco negro

Por fim, em 2019, os cientistas conseguiram tirar a primeira fotografia de um buraco negro. Depois de muito trabalho duro, com a tecnologia de observação sendo levada ao limite, os cientistas conseguiram obter a imagem histórica. O buraco negro em questão é o chamado Messier 87, ou M87.

Com informações de Live Science.

 



Fonte Socientifica

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