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O efeito placebo e seu poder

por Alberto Lima


A mente é uma ferramenta de cura poderosa. Por isso, a ideia do seu cérebro convencer o seu corpo de que um tratamento falso é real – o efeito placebo – estimula a cura há milênios.

Agora, a ciência descobriu que o placebo pode ser tão eficaz quanto os tratamentos realmente tradicionais. O professor Ted Kaptchuk, do Beth Israel Deaconess Medical Center, afiliado a Harvard, relata o efeito placebo como mais que o pensamento positivo.

“É sobre a criação de uma conexão mais forte entre o cérebro e o corpo e como eles funcionam juntos”, diz ele.

Certamente, o placebo não diminui o tumor ou reduz o colesterol. Mas atua sobre os sintomas modulados pelo cérebro, como a sensação de dor. Então, os placebos te fazem se sentir melhor. Dessa forma, eles se mostraram eficazes para condições como controle da dor, insônia referente ao estresse e os efeitos colaterais de um tratamento de câncer, como fadiga e náusea.

O significado do placebo

Durante anos, o efeito placebo foi usado em ensaios clínicos como teste de eficácia dos tratamentos. A maior frequência do uso é no estudo de drogas.

Por exemplo, algumas pessoas recebem o medicamento falso (placebo), mas acham que é real. Os pesquisadores comparam quem recebeu esse placebo e o medicamento real para testar a sua eficácia. Se ambos tiverem a mesma reação, considera-se que o medicamento não funciona.

Mas, recentemente, os especialistas concluíram que reagir ao placebo não pode ser uma prova de que determinado tratamento deva ser descartado. Isso porque outro mecanismo não farmacológico tem a probabilidade de estar presente.

Imagem: Pexels

O funcionamento do efeito placebo ainda não é bem compreendido, porque envolve uma reação neurobiológica complexa. Inclui o aumento nos neurotransmissores da sensação de bem-estar, como endorfinas e dopamina. Até uma atividade maior em certas regiões do cérebro ligadas ao humor, emoção e autoconsciência.

Então, o benefício terapêutico vem pela forma de seu cérebro se comunicar com o corpo e emitir o que ele precisa para se sentir bem, diz Kaptchuk.

Mas o placebo precisa de todo um ritual relacionado ao tratamento. Você vai a uma clínica ser examinado por médicos, recebe pílulas e passa por diversos procedimentos. Tudo isso tem impacto na forma como o corpo reage aos sintomas, porque sente a atenção e os cuidados.

A questão é: o placebo só funciona se você não souber que é um placebo. Logo, o estudo liderado por Kaptchuk e publicado no Science Translational Medicine testou as pessoas informadas sobre o placebo ao tomá-lo.

Teste realizado

Para dor de enxaqueca, um grupo tomou um placebo para enxaqueca rotulado com o nome do remédio, outro tomou o placebo rotulado de “placebo” mesmo e o terceiro grupo não tomou nada.

Com isso, os pesquisadores descobriram que o placebo foi 50% tão eficiente quanto a droga de verdade para a redução da dor depois de uma crise de enxaqueca.

É possível que a força para esse resultado tenha sido o simples ato de tomar a pílula. As pessoas associam o ritual de tomar remédio como um efeito curativo positivo, disse Kaptchuk.



Fonte Socientifica

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