Casa Ciências O amianto pode ajudar no combate às mudanças climáticas

O amianto pode ajudar no combate às mudanças climáticas

por Alberto Lima


Embora pareça um tanto estranho, é isso mesmo. O amianto pode ser uma ótima arma no combate às mudanças climáticas. Os cientistas estudam formas de utilizá-lo como um “filtro” para extrair quantidades consideráveis de dióxido de carbono do ar.

O amianto é simplesmente um resíduo mineral comercializado. Antigamente muito comum na fabricação de telhas e caixas da água, é um material fibroso formado por sais minerais resultantes da mineração de outros materiais. Ele possui muitos ps positivos, como a resistência e flexibilidade.

No entanto, o amianto é extremamente prejudicial para a saúde e, então, em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o uso do amianto em todo o Brasil. Dentre os efeitos na saúde, estão doenças pela deposição de fibras no pulmão e câncer de pulmão, conforme o Instituto Nacional de Câncer.

Mas ao que parece, o amianto não é de todo ruim. Algumas características tornam o material bastante eficiente em armazenar o dióxido de carbono presente na água na chuva, além da vasta área que cobre, quando utilizado.

O dióxido de carbono é um dos gases de efeito estufa. Embora não seja tão eficiente em segurar o calor quanto, por exemplo, o metano, o dióxido de carbono vence pela quantidade. Sua emissão é gigante, a tornando-o responsável por 60% do aumento no efeito estufa.

Mineralização do carbono nas mudanças climáticas

O estudante Caleb Woodal começou, recentemente, a escavar uma área que outrora fora uma mina que produzia amianto, fechada desde os anos 1980, no estado do Massachusetts, nos Estados Unidos. Ele enviou o material extraído para dois laboratórios.

A missão é descobrir a composição daquele amianto específico (pois pode variar, já que é feita a partir da fibra de diversos minerais diferentes), a quantidade de gás carbônico eles contém, e o quanto eles ainda são capazes de armazenar.

Um dos tipos de amianto é a crisotila, que forma-se naturalmente. Ao reagir com o dióxido de carbono (CO2), o material origina minerais de carbonato de magnésio, como magnesita. A magnesita, especificamente, é capaz de segurar o gás carbônico por milênios, já que trata-se de um mineral bastante resistente e estável.

Eles estudam maneiras de acelerar a reação, de forma a combater o efeito estufa utilizando resíduos da mineração, que muitas vezes seriam desperdiçados. No entanto, não salvaria o planeta, é claro. A ideia é que o processo combata pelo menos o gás carbônico liberado pelo próprio processo de mineração.

O mesmo método funcionaria, também, com subprodutos ricos em cálcio e magnésio, liberados principalmente na mineração de níquel, cobre, diamante e platina.

“A descarbonização de minas na próxima década está apenas nos ajudando a construir confiança e know-how para realmente minerar com o propósito de emissões negativas”, diz em um comunicado o pesquisador Gregory Dipple, professor da Universidade de British Columbia.

Não é a salvação do mundo

A mineralização é um dos principais processos utilizados pela natureza para eliminar o CO2 da atmosfera, junto à captura do gás pelas plantas, entre outros meios. Mas a emissão é grande demais para a natureza lidar. Então, além da redução de emissões, precisamos retirar carbono da atmosfera.

Para que o planeta não aqueça mais 1,5°C na escala média (parece pouco, mas não é), precisamos eliminar as emissões o mais rápido possível, ainda nesse século: eliminar entre 100 bilhões e 1 trilhão de toneladas de dióxido de carbono do ar ainda no século XXI.

Um estudo recente das National Academies (Academias Nacionais dos Estados Unidos) diz que, para que até o final do século o aquecimento médio não suba mais 2° Celsius, é necessária a eliminação de 10 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera, anualmente, até 2050, e 20 bilhões de toneladas anuais de 2050 a 2100. 

Os cientistas ainda precisam considerar os detalhes, como riscos à saúde e como aplicar o sistema. Mas em breve, o amianto estará ajudando a diminuir as emissões de carbono. Claro que outros métodos precisam surgir, já que somente o amianto não conseguirá reduzir as mudanças climáticas sozinho.

Com informações de MIT Technology Review.



Fonte Socientifica

Postagens Relacionadas

Deixe um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Assumiremos que você está ok com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceitar Leia mais

Política de privacidade e cookies