Casa Ciências Identificado possível primeiro planeta fora da Via Láctea

Identificado possível primeiro planeta fora da Via Láctea

por Alberto Lima


Que há planetas em outras galáxias nós sabemos. No entanto, a novidade de um possível planeta fora da Via Láctea é na distância e na capacidade de detecção, pela dificuldade da tarefa.

Uma estrela brilha muito. Portanto, é fácil detectar estrelas extremamente longe de nós. No entanto, um planeta, além de muito menor do que uma estrela, não possui brilho próprio. 

A primeira detecção de um exoplaneta, ou seja, um planeta de fora do sistema solar, foi feita em 1992. Desde então, já detectamos milhares deles – não que a tarefa seja fácil.

A maior parte dos exoplanetas são identificados a partir de um método chamado de trânsito planetário. Ele ocorre com a detecção da variação no brilho da estrela com a passagem do planeta. Mas essa variação é consideravelmente sutil, e quanto maior da distância, mais difícil de detectar.

Para pôr em perspectiva, a galáxia espiral mais próxima da Terra é a galáxia de Andrômeda, a uma distância de aproximadamente 2.537.000 anos-luz. Ou seja, a distância em que a luz percorre em dois milhões e meio de anos.

Para chegar à lua, a luz leva pouco mais de 1 segundo. Para a lua viajar 2 milhões de anos, então, a distância é realmente grande. E o planeta está em uma galáxia ainda mais longe.

Em um estudo, publicado como preprint no arXiv e ainda não revisado por pares, a equipe descreve a descoberta e o candidato a primeiro planeta extragaláctico já encontrado.

O planeta

O candidato a planeta fora da Via Láctea localiza-se na Galáxia Whirlpool M51, a uma distância de aproximadamente 23 milhões de anos-luz da Terra. Em um mapa celeste, ela localiza-se próximo à constelação da Ursa Maior. 

Os cientistas acreditam que o planeta, batizado de M51-ULS-1b possua um tamanho médio – um pouco menor do que Saturno.

O sistema de estrelas é binário e provavelmente, orbita suas estrela a uma distância de aproximadamente dez vezes a distância entre a Terra e o Sol. Isso equivale a mais ou menos a distância de Saturno até o Sol. 

Péssimas condições

As condições do planeta não são muito boas, no entanto, e em breve ele deverá morrer. Foi justamente a situação na qual ele se encontra que entregou sua posição e sua existência.

Seu sistema binário é composto por uma estrela e possivelmente um buraco negro ou estrela de nêutrons. Seja que objeto for, está devorando rapidamente a estrela, liberando uma quantidade considerável de energia. É por meio a emissão dos raios-x que os cientistas conseguiram detectar o trânsito do planeta.

Por ser um objeto massivo pequeno, a amplitude da liberação de raios-x não é muito grande. Portanto, por sorte, um planeta com o tamanho de Saturno pode eclipsar quase completamente a luz.

No dia 20 de setembro de 2012, o Observatório de Raios-X Chandra olhava, por coincidência, exatamente para aquele local do céu, detectando a passagem do planeta. O trânsito durou cerca de três horas.

Pela idade do sistema, os cientistas descartam a possibilidade de outra estrela causar as variações na emissão de raios-x. Portanto, é mais plausível que seja de fato um planeta.

O estudo, ainda não revisado por pares, foi publicado no arXiv. Com informações de Astronomy e Phys.org.



Fonte Socientifica

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