Casa Ciências Formigas utilizam seus ácidos para ficarem protegidas de microrganismos

Formigas utilizam seus ácidos para ficarem protegidas de microrganismos

por Alberto Lima


O comportamento das formigas de limpar as glândulas em suas nádegas após comerem ou beberem intrigou os cientistas. No entanto, descobriram que as formigas utilizam seus ácidos para manterem-se livres de alguns microrganismos.

O que os cientistas testaram

Alguns pesquisadores questionaram o porquê de formigas sempre se limparem após comerem ou beberem. No entanto, o fato de fazerem isso mesmo quando somente bebem água levou a crerem que o comportamento não estava ligado a digestão.

Dessa forma, o zoólogo Simon Tragust (Universidade Martin Luther) e sua equipe fizeram um teste com formigas carpinteiras da Flórida (Camponotus floridanus). Eles impediram que as formigas pudessem tocar em suas nádegas depois de comerem. Assim, as formigas foram paralisadas com gelo e tiveram seus níveis de acidez do sistema digestório analisados.

Então observou-se que a quantidade de ácido fórmico diminuiu por as formigas não poderem sugar a substância, a qual fica armazenada na glândula acidopore localizada no abdomen.

Para que as formigas utilizam seus ácidos

Normalmente as formigas utilizam o ácido fórmico como arma para paralisar suas presas no momento da caça. Elas costumam injetar o ácido na presa no momento que a agarra com suas mandíbulas. Entretanto, as formigas utilizam a substância para outros fins, como se limpar e higienizar seus bebês, afim de evitar agentes patológicos. Além disso, o novo estudo demonstra que elas utilizam também para manterem as vísceras sem parasitas.

(Formiga com foco em sua mandíbula/ Глеб Коровко – Pexels)

De acordo com o Tragus “descobrimos que o acesso ao veneno melhora a sobrevivência das formigas após se alimentarem de alimentos contaminados com patógenos”.

Além disso, outros organismos também utilizam seus ácidos fórmicos de forma beneficente. Alguns pássaros aproveitam as formigas da madeira, que lançam a substância na cara de seus predadores, para receberem um pouco em suas penas e se livrarem de parasitas. Já os seres humanos utilizam como pesticidas, antibacterianos na alimentação do gado, cuidados com a pele e combustíveis do futuro.

Por outro lado, quando o ser humano ingere ou inala o ácido fórmico pode ter efeitos colaterais horríveis. Dor de cabeça, queimaduras, confusão e vômito são algumas das consequências. Assim, é possível observar que as formigas são bem mais resistentes que nós quando se trata dessa substância.

Os benefícios incríveis do ácido para as formigas

É impressionante como a quantidade de microrganismos intestinais é baixa nas formigas, pois costumam compartilhar comida e cavar túneis juntos. O esclarecimento para esse fato é a utilização do seu ácido fórmico.

A partir de alguns testes de laboratório foi possível observar que existe um tipo de bactéria que tolera a presença do ácido fórmico, a Acetobacteraceae. Consequentemente essa bactéria foi encontrada em muitas espécies de formigas. No entanto, segundo a Science Alert, novos estudos mostram que talvez essa bactéria seja benéfica para as formigas na digestão de nutrientes.

O fato das formigas terem uma grande acidez em seus tratos digestórios é realmente intrigante, pois isto é mais comum em animais vertebrados. Por outro lado, animais que fornecem alimentos para seus filhotes, como as formigas, comumente tem métodos antimicrobianos para a higienização dos alimentos.

A pesquisa de Tragust e seus colaboradores também descobriu que as formigas que não tinham contato com o veneno nas nádegas possuíam uma acidez variável numa estrutura digestiva. Isto pode indicar que elas tem outros recursos de manter a acidez no aparelho digestório.

Para concluir Tragust declara que “os resultados do nosso estudo mostram que as formigas da formicina mantêm um pH basal altamente ácido no estômago, a cultura, ao engolir a secreção da glândula venenosa durante a preparação com acidopore” e que mais estudos são necessários para compreender como ocorre essa liberação de ácidos.

O estudo foi publicado no periódico eLife.



Fonte Socientifica

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