Estado de hibernação em animais existe há 250 milhões de anos


O estado de hibernação é um recurso de muitos animais para sobreviverem no inverno.

Esse recurso é familiar em animais que vivem especialmente perto ou dentro das regiões polares. Eles hibernam quando a comida é escassa, as temperaturas caem e os dias escurecem.

Sobrevivência e adaptação

Lystrosaurus

De acordo com novas pesquisas, essa forma de adaptação é antiga na história.

Cientistas da Universidade de Washington e o Museu Burke de História Natural e Cultura relataram evidências de um estado de hibernação em um animal que viveu na Antártica durante o Triássico Inferior, cerca de 250 milhões de anos.

O artigo com essas novas pesquisas foi publicado em 27 de agosto.

A criatura, membro do gênero Lystrosaurus, era um parente distante dos mamíferos.

Durante o tempo do Lystrosaurus e até nos dias de hoje, a Antártica experimentava longos períodos sem luz solar a cada inverno.

O Lystrosaurus viveu um período dinâmico da história do planeta e surgiu um pouco antes da maior extinção em massa da Terra, no final do Período Permiano.

De alguma forma, essa espécie sobreviveu ao período de extermínio de cerca de 70% das espécies de vertebrado na Terra.

Evidência de fóssil encontrado

Os fósseis são a evidência mais antiga de um estado semelhante à hibernação em um animal vertebrado. Eles indicam que o torpor surgiu em vertebrados antes mesmo de mamíferos e dinossauros terem evoluído.

Assim também, torpor é um termo geral para hibernação e estados semelhantes em que os animais reduzem temporariamente a sua taxa metabólica para passar por uma estação difícil.

Paleontólogos hoje encontram fósseis de Lystrosaurus na Índia, China, Rússia, partes da África e Antártica.

Essas criaturas atacarradas  de 2 a 2,5 metros de comprimento não tinham dentes, mas um par de presas na mandíbula superior, que possivelmente usavam para forragear a vegetação rasteira e cavar para encontrar raízes e tubérculos, de acordo com a autora principal Megan Whitney, pesquisadora pós-doutorada de Harvard que conduziu o estudo.

Whitney e Christian Sidor, o coautor, professor da UW de biologia e curador de paleontologia de vertebrados no Museu Burke, compararam seções transversais de presas de seis Lystrosaurus da Antártica com seções transversais de quatro Lystrosaurus da África do Sul.

As presas das duas regiões mostraram padrões de crescimento semelhantes, com camadas de dentina depositadas em círculos concêntricos como anéis de árvores.

seção delgada da presa fossilizada

Mas os fósseis da Antártica abrigavam uma característica adicional que era rara ou ausente nas presas mais ao norte: anéis grossos e bem espaçados.

Provavelmente, indicam períodos de menor deposição devido ao estresse prolongado, de acordo com os pesquisadores.

Estado de hibernação

“O análogo mais próximo que podemos encontrar das ‘marcas de estresse‘ que observamos nas presas do Lystrosaurus Antártico são marcas de estresse em dentes associadas à hibernação em certos animais modernos”, disse Whitney.

Whitney também destaca que o torpor, incluindo a hibernação, também pode ter sido usado por muitos outros vertebrados antigos em latitudes elevadas para lidar com as tensões do inverno.

Mas muitos animais extintos mais famosos, até mesmo dinossauros que evoluíram e se espalharam depois que o Lystrosaurus morreu, não têm dentes que crescem continuamente.

Concluindo, segundo Sidor, para ver os sinais específicos de estresse e tensão causados pela hibernação, você precisa olhar para algo que pode fossilizar e estava crescendo continuamente durante a vida do animal.

Pesquisa publicada pela Nature. Com informações de IFL Science e Phys.org.

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Fonte Socientifica