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Esta é possivelmente a maior colisão que a Via Láctea já sofreu

por Alberto Lima


Corpos e sistemas pelo universo surgem e se desenvolvem, comumente, de formas bastante violentas – e a Via Láctea se inclui nisso. A fusão com uma galáxia chamada Kraken é, provavelmente, a maior colisão que a Via Láctea já sofreu, conforme cientistas que estudam, agora, a “árvore genealógica” de nossa galáxia.

A equipe, liderada pelo Dr. Diederik Kruijssen no Centro de Astronomia da Universidade de Heidelberg (ZAH) e o Dr. Joel Pfeffer da Universidade John Moores de Liverpool, publicou o estudo no periódico britânico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Para entender a árvore genealógica da Via Láctea, então, primeiro os cientistas modelaram, utilizando algoritmos de inteligência artificial, o comportamento e as propriedades dos aglomerados globulares – grandes densos e antigos aglomerados estelares esféricos que abrigam até mesmo um milhão de velhas estrelas. Certamente, alguns deles são tão velhos quanto o universo. Na Via Láctea há mais de 150 aglomerados globulares. Portanto, são uma ótima maneira de se compreender um pouco de nossa própria galáxia. 

Inteligência Artificial

Há tempos os astrônomos cogitam utilizar os aglomerados globulares para investigar a evolução da VIa Láctea. No entanto, isso envolve um modelo rebuscado e uma boa quantidade de dados. Somente agora, com um modelo completo, envolvendo a formação, evolução e a destruição dos aglomerados globulares, que os cientistas avançaram na área. Assim, com as idades, as composições e as dinâmicas (os movimentos) dos aglomerados, eles traçaram de onde elas surgiram e quando se incorporaram à Via Láctea.

As diversas fusões que a Via Láctea já sofreu. (D. Kruijssen / Heidelberg University).

“O principal desafio de conectar as propriedades dos aglomerados globulares à história da fusão de sua galáxia hospedeira sempre foi que a montagem da galáxia é um processo extremamente confuso, durante o qual as órbitas dos aglomerados globulares são completamente reorganizadas”, explica em um comunicado o Dr. Diederik Kruijssen, do Centro de Astronomia da Universidade de Heidelberg (ZAH)

“Para entender o complexo sistema que resta hoje, decidimos usar a inteligência artificial. Treinamos uma rede neural artificial nas simulações do E-MOSAICS para relacionar as propriedades do aglomerado globular com a história da fusão da galáxia hospedeira. Testamos o algoritmo dezenas de milhares de vezes nas simulações e ficamos surpresos com a precisão com que ele foi capaz de reconstruir as histórias de fusão das galáxias simuladas, usando apenas suas populações de aglomerados globulares”, explica

Modelando a maior colisão que a Via Láctea já sofreu

Deu muito certo. Foi aí, portanto, que eles resolveram estudar a evolução da Via Láctea. Ao modelar os aglomerados que parem ter vindo da mesma galáxia, então, os cientistas conseguiram calcular, com precisão, a massa e a rota das duas galáxias. No entanto, essa era uma colisão desconhecida com uma galáxia misteriosa. Portanto, eles precisavam dar-lhe um nome. Foi aí que chamaram ela de Kraken.

“A colisão com o Kraken deve ter sido a fusão mais significativa que a Via Láctea já experimentou”, explica Kruijssen sobre a descoberta com os algoritmos. “Antes, pensava-se que uma colisão com a galáxia Salsicha de Gaia , que ocorreu há cerca de 9 bilhões de anos, era o maior evento de colisão”.

Acredita-se, pois, que a Via Láctea incorporou 13 dos aglomerados globulares que possui hoje durante essa colisão. Naquela época, 11 bilhões de anos atrás, a Via Láctea era muito menor – com cerca de uma quarto de sua massa atual. Dessa forma, com essa e outras colisões futuras que a nossa galáxia cresceu. “Os restos de mais de cinco galáxias progenitoras já foram identificados. Com os telescópios atuais e futuros, deve ser possível encontrar todos eles”, diz Kruijssen.

Mas a Via Láctea ainda não é das maiores – e nem parou de crescer. Embora seja a maior colisão que a Via Láctea já sofreu, talvez não seja a maior que sofrerá. Em alguns bilhões de anos, a Via Láctea e nossa vizinha Andrômeda se encontrarão, já que encontram-se, atualmente, em rota de colisão. Portanto, esse choque unirá as duas em uma só galáxia bem maior. 

O estudo foi publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Com informações de Live Science, Forbes e Royal Astronomical Society.



Fonte Socientifica

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