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Cientistas podem ter descoberto vírus que produzem energia

por Alberto Lima


Os vírus estão vivos? Esse é um debate que costuma voltar sempre entre os pesquisadores. O consenso geral é que não – os vírus só são capazes de se reproduzir dentro de organismos hospedeiros e não possuem a maquinaria essencial e necessária para considerá-los vivos. Até a descoberta do pandoravírus.

Até o momento, o vírus não parecia ser capaz de produzir sua própria energia. Para obtê-la e completar a replicação, eles sequestram o suprimento de energia do hospedeiro e se reproduzem dentro da célula hospedeira, antes de explodir e seguir seu caminho de infecção para outra célula.

Só que um estudo pré-impresso publicado na bioRxiv, ou seja, ainda não revisado por pares, descobriu uma espécie de vírus gigante capaz de produzir energia independente. O estudo foi realizado pelos pesquisadores do Instituto Nacional Francês para o Desenvolvimento Sustentável (IRD).

Vírus produzindo sua própria energia

A pesquisa marca a primeira vez que um vírus mostra ter a capacidade de produção de energia. O nome dele é pandoravírus (um vírus gigante das amebas) e, no trabalho, os pesquisadores mostraram experimentalmente que ele tem potencial de membrana elétrica. Esse é um componente essencial para a sobrevivência de todas as células vivas.

Pandoravírus. (Chantal Abergel/Jean-Michel Claverie)

A membrana elétrica permite que as células funcionem como uma bateria gerando energia, disse o professor Bernard La Scola, autor correspondente do estudo, ao IFL Science.

O vírus é considerado uma fera. Após descoberto em 2013, o pandoravírus quebrou todos os recordes de tamanho possíveis. Tem um diâmetro de partícula de vírus de 1 micrômetro e um genoma de vírus massivo de 2,5 milhões de pares de bases.

Por causa de seu tamanho enorme, os cientistas repensaram o que exatamente é um vírus, uma vez que ele ultrapassa os limites de vírus, sendo considerado partículas flutuantes ou organismos unicelulares.

Desde que foi descoberto, muitas definições do que é um vírus não se aplicam a esses gigantes, conforme os cientistas estudavam mais. Eles têm alguma forma no sistema imunológico que ajuda a combater vírus menores, além de genes permitindo a transcrição do DNA em mRNA por conta própria.

Outros vírus não conseguem fazer a transcrição sem um hospedeiro.

Pandoravírus

Nesses vírus gigantes também foram encontradas várias proteínas que não são normalmente localizadas em outros vírus. A partir daí, os pesquisadores resolveram testar se o pandoravírus desvia da normalidade no campo do metabolismo da mesma forma.

Sarah Aherfi e seus colegas usaram uma tecnologia a qual permite ver se há diferença de energia dentro e fora da célula. Então, os pesquisadores testaram o vírus Pandora massiliensis para uma incongruência de voltagem na membrana do vírus (chamada potencial de membrana).

Por fim, descobriram uma assimetria na voltagem, particularmente com partículas virais maduras. Isso sugere um mecanismo que cria energia dentro do próprio vírus.

A investigação prosseguiu no genoma de P. massiliensis ao tentar identificar genes comumente associados à produção de energia em outros organismos. Eles acharam oito genes que são ativados durante o final do ciclo de replicação do vírus e semelhantes com genes usados por outros corpos no estágio-chave de produção da energia.

Quando isolados e inseridos em bactérias, alguns desses genes produzem as enzimas necessárias para a produção de energia. Se esses resultados forem verificados, surge a demonstração do vírus produzindo energia independente.

O estudo científico pré-impresso foi publicado no periódico bioRxiv.



Fonte Socientifica

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