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Cientistas encontram molécula “estranha” na atmosfera de Titã

por Alberto Lima


Titã é uma das fascinantes luas de Saturno. Com sua complexidade toda, há muito a conhecermos sobre sua superfície, atividade geológica, entre outros tipos de reações, envolvendo até mesmo moléculas orgânicas. Diversas características a tornam extremamente promissora para a vida, e por isso recebe tanta atenção. Agora, os cientistas encontram molécula “estranha” na atmosfera de Titã, conforme descrevem em um artigo publicado no The Astronomical Journal, e disponível também como preprint no arXiv.

O ciclopropenilideno (C3H2) forma-se, como a fórmula da molécula mostra, a partir do carbono e do hidrogênio. Trata-se de uma molécula orgânica aromática. Ele é altamente reativo (reage facilmente com quase qualquer molécula que entra em contato), e raramente surge de forma natural na Terra. No entanto, no meio interestelar não é incomum encontrá-lo em quantidades significativas – e aparentemente em Titã também não. Ah, e não se sinta mal em não conseguir falar o nome da molécula – ela é bastante rara, e possivelmente pouquíssimos químicos a conhecem.

E o que essa molécula “estranha” na atmosfera de Titã tem a ver?

Nunca ninguém identificou antes a molécula em uma atmosfera. No entanto, acredita-se que exista uma utilidade para ela. Conforme um comunicado da NASA, os cientistas acreditam que a molécula poderia servir como um precursor de moléculas orgânicas ainda mais complexas, que poderiam dar origem à vida, ou mesmo já deram.

(NASA / JPL-Caltech / Universidade do Arizona / Universidade de Idaho)

Vale lembrar que a existência de uma molécula orgânica não é necessariamente uma assinatura de vida. São diversas as formas de surgimento de moléculas orgânicas a partir de atividades geológicas, além de outros fenômenos que catalisam algumas reações químicas. No entanto, moléculas orgânicas são um ponto primordial e essencial para a existência da vida – e se existem, já temos meio caminho andado.

“Quando percebi que estava olhando para o ciclopropenilideno, meu primeiro pensamento foi: ‘Bem, isso é realmente inesperado”, conta em um comunicado Conor Nixon, um cientista planetário da NASA, além de líder da pesquisa.

Os cientistas observaram Titã utilizando o rádio-observatório ALMA (Atacama Large Millimeter Array), localizado no deserto do Atacama, no Chile, e subordinado ao ESO (Observatório Europeu do Sul, na sigla em inglês). Eles detectaram a molécula “estranha” na atmosfera de Titã – o ciclopropenilideno -, através da espectroscopia, isto é, analisando as assinaturas da luz do composto.

Planeamento futuro

Em algum momento da década de 2020, os cientistas lançarão o Dragonfly. Trata-se de uma missão da NASA para buscar por vida em Titã. O Dragonfly é um pequeno helicóptero (um drone, para ser mais específico). A atmosfera de Titã é 4 vezes mais densa que a atmosfera da Terra, então voar é uma boa aposta, já que um rover é extremamente limitado.

(NASA/JHU-APL).

“Titã é único em nosso sistema solar”, disse Nixon. “Provou ser um tesouro de novas moléculas”. A lua é realmente muito viva. No entanto, a complexidade também cobra seu preço. Titã é bastante fedida, conforme já relatamos aqui na Socientífica.

Levando conta ponto além da composição atmosférica e inúmeras reações químicas, Titã também é fascinante a partir de outras perspectivas. Além de ser a maior lua de Saturno, o satélite possui nuvens e chuvas de metano, lagos, rios, muitos também de metano. Além disso, há também a água, mas localiza-se principalmente no subterrâneo, em um grande oceano de água salgada.

“Estamos tentando descobrir se Titã é habitável”, diz Rosaly Lopes, especialista em Titã do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA. “Queremos saber quais compostos da atmosfera chegam à superfície e, então, se esse material pode passar da crosta de gelo para o oceano abaixo, porque pensamos que o oceano é onde estão as condições habitáveis”.

“Nós pensamos em Titã como um laboratório da vida real, onde podemos ver uma química semelhante à da Terra antiga quando a vida estava acontecendo aqui”, explica Melissa Trainer, astrobióloga da NASA.

O estudo foi publicado no periódico The Astronomical Journal. Com informações de NASA e Science Alert.



Fonte Socientifica

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