Casa Ciências Cientistas descobriram mais de 12.000 novas espécies de microrganismos

Cientistas descobriram mais de 12.000 novas espécies de microrganismos

por Alberto Lima


Microrganismos estão em todos os lugares do mundo. Literalmente, bactérias, arqueas e vírus podem viver em praticamente todos os ambientes do planeta. Algumas bactérias e arqueas vivem até e chaminés vulcânicas. Existem, aliás, mais de 27 mil espécies de microrganismos conhecidas. Ou pelo menos existiam, até recentemente. Acontece que um grupo de cientistas acaba de descobrir mais de 12.500 novas espécies de micróbios.

Esse resultado veio de um estudo feito em centenas de ambientes ao redor do mundo. Ademais, os pesquisadores utilizaram uma técnica de ponta para a pesquisa: metagenômica.

(Imagem de Daina Krumins por Pixabay)

Essa técnica permite a análise do material genético de microrganismos sem necessariamente cultivá-los no laboratório. Isso é importante porque nem todas as bactérias e vírus crescem em laboratório. Em geral, para criar uma bactéria em laboratório, por exemplo, basta colocá-la em uma placa de Petri com os nutrientes corretos e, basicamente, pronto.

Contudo, nem todos os microrganismos se adaptam às placas de Petri. Vírus, inclusive, precisam ser cultivados em células vivas. Isso ocorre porque esses microrganismos precisam da célula hospedeira para se multiplicarem. Nesse sentido, a metagenômica facilita a situação.

Essa técnica consiste em pegar milhares de amostras de DNA ou RNA de um nicho. Esses materiais genéticos, todos misturados, são sequenciados e passam por uma análise computacional. Vale lembrar que essas análises lidam com bilhões de dados e, portanto, elas podem ser bastante complexas.

Contudo, o que os pesquisadores fizeram foi comparar todas as amostras das coletas com os materiais genéticos em registro. O resultado, portanto, foi incrível: 12.556 novas sequências descobertas. A priori, isso pode indicar também 12.556 novas espécies descobertas.

Por que descobrir novas espécies de microrganismos pode ser importante

Muitos microrganismos produzem substâncias que nós, humanos, podemos usar na nossa vida. Os fungos do gênero Penicillium sp. Por exemplo, produzem a penicilina. Ainda, muitas bactérias e leveduras são essenciais para a produção de alimentos e bebidas. Os vírus, por outro lado, podem ser úteis para manipulações genéticas de bactérias.

Esse último caso, aliás, é usado para a produção de insulina sintética, o que melhora a qualidade de vida de milhões de diabéticos. Assim, com a descoberta de tantas novas espécies de microrganismos, há grande possibilidade de que algum deles possa produzir algo útil para nós. Talvez uma das bactérias descobertas produza uma proteína desconhecida que possa curar algum tipo de câncer.

Mapa dos locais de coleta (Nayfach et al., Nature Biotechnology, 2020)

Contudo, ainda há um desafio pela frente. Como dito antes, essas espécies não são facilmente cultivadas. Portanto, pode ser bastante difícil identificar organismos promissores. Além do mais, o material genético coletado nem sempre tem uma boa qualidade. Isso ocorre porque a amostra possui muitos fragmentos de DNA’s e RNA’s diferentes que podem interagir entre si. Isso pode atrapalhar o sequenciamento e também a análise.

Além do mais, muitos desses microrganismos vivem em ambientes específicos demais. O estudo coletou amostras de diversos tipos de nicho, desde microrganismos do mar até aqueles que vivem no corpo dos seres humanos.

Ainda assim, o estudo é muito promissor pois mostra uma fronteira de novas descobertas. Ainda devem existir outros milhares de espécies não descobertas espalhadas através do planeta. Provavelmente muitas podem ser úteis para a cura de doenças ou produção de combustível e alimentos. Contudo, apenas uma coisa é certa: ainda são necessários muitos outros estudos para compreender esses novos microrganismos.

O estudo foi publicado no periódico Nature Biotechnology.



Fonte Socientifica

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