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Buracos negros são buracos de minhoca disfarçados?

por Alberto Lima


Buracos negros são buracos de minhoca disfarçados? Há essa possibilidade? As explosões  de raios gamas poderiam trazer algumas respostas. Não é impossível que alguns dos buracos negros não fossem exatamente buracos negros.

Buracos negros são objetos extremamente misteriosos. Embora milhares de mentes tenham se debruçado no assunto nas últimas décadas, muito pouco sabemos sobre eles.

Os buracos de minhoca, por sua vez, são previstos pela Relatividade de Einstein, mas nunca conseguimos encontrar nenhum deles, mesmo que muitos cientistas estejam em sua busca.

Eles são deformações no tecido espaço-tempo tão profundas que chegariam a outro local no espaço. Portanto, entrar em um deles seria um ótimo atalho, e possibilitaria a exploração espacial além do sistema solar.

À primeira vista, podemos dizer, portanto, que um buraco de minhoca se parece com um buraco negro. Ambos possuem uma força gravitacional inacreditavelmente forte.

De modo geral, a principal diferença entre eles é que um buraco de minhoca te leva para outro ponto do espaço, enquanto um buraco negro não leva para lugar nenhum, ao menos até onde sabemos.

Em busca de buracos de minhoca

Mas se os buracos de minhoca realmente existem, até que ponto eles se parecem ou se diferenciam com buracos negros externamente? Podemos diferenciá-los apenas olhando? 

Em um estudo publicado em agosto no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, disponível também como preprint no arXiv, os cientistas debatem essas ideias.

Eles assumem as principais descrições teóricas de um buraco de minhoca aplicadas na realidade. Em outras palavras, assumem que os buracos de minhoca existem, para fins hipotéticos. 

Para a comparação, eles se concentraram nos buracos negros supermassivos. São buracos negros brutalmente grandes. Um exemplo é o Sagittarius A * (lê se Sagittarius A ‘estrela’), o buraco negro no centro da Via-Láctea, com  4,5 milhões de massas solares.

Caminho de mão dupla

Agora entra um novo ponto importante. Eles assumem, também, com respaldo teórico, que os buracos de minhoca são caminhos de mão dupla. Logo, é possível entrar e sair por seus dois lados. 

Nesse caso, a matéria entraria por seus dois lados, e colidiria em seu interior. Isso é algo que não aconteceria em um buraco negro, já que ele possui apenas uma entrada.

E não são simples colisões como um acidente de trânsito. Pela forte gravidade, a matéria estaria em altíssimas velocidades. Portanto, frações consideráveis da velocidade da luz.

O choque dessa matéria liberaria muita energia, formando o plasma – um estado da matéria super energético. As bolhas de plasma se expandiriam para os dois lados, liberando matéria em ambos, quase à velocidade da luz, além de emitir uma grande quantidade de energia.

“O que mais me surpreende é que ninguém propôs essa ideia antes, porque é bastante simples”, diz Mikhail Piotrovich, autor principal do estudo, ao Space.com. Ele é astrofísico do Observatório Astronômico Central de São Petersburgo, na Rússia.

Essa liberação de matéria e energia se pareceria muito com um fenômeno chamado Núcleo Galáctico Ativo (AGN). Quando um buraco negro devora uma quantidade muito grande de matéria, um AGN brilha mais do que a galáxia inteira.

Mas há uma diferença: um AGN não libera raios gama. A liberação de energia de buracos de minhoca, por outro lado, liberariam. Ou seja, os raios gama são, portanto, a chave para encontrar um buraco de minhoca.

O estudo foi publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Com informações de Space.com.



Fonte Socientifica

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