Casa Ciências As girafas correm maior risco de serem atingidas por raios?

As girafas correm maior risco de serem atingidas por raios?

por Alberto Lima


Em março deste ano, conservacionistas que trabalham na reserva natural de Rockwood, na África do Sul, encontraram duas girafas, entre quatro e cinco anos, deitadas a cerca de 7 metros uma da outra.

Essas girafas cheiravam a amônia e esse seria um sinal de que foram mortas por um raio, relata Mindy Weisberger para o Live Science.

Então, a morte delas ocasionou um estudo de caso publicado este mês no African Journal of Ecology.

Aparentemente, o raio atingiu uma girafa no topo de sua cabeça e essa conclusão veio pela fratura no crânio, relata George Dvorsky para o Gizmodo.

A outra girafa pode ter sido morta pelo ataque indireto, por causa da dispersão do relâmpago pelo ar ou solo.

Para contextualizar, as girafas têm entre 5 e 6 metros de altura e vivem nas savanas de 12 países africanos.

O raio realmente atinge o ponto mais alto?

A sabedoria comum diz que um raio atinge a coisa mais alta que tiver em uma área aberta.

Então, as girafas correm maior risco com a queda de raios do que outros animais?

É o que Ciska PJ Scheijen, conservacionista de Rockwood e única autora do estudo, quis descobrir.

Quando as girafas morreram, ela tentou procurar artigos científicos sobre a morte de girafas por um raio, mas surpreendentemente só conseguiu encontrar alguns casos que foram descritos em jornais não científicos.

Poucos detalhes circunstanciais são dados, especialmente em relação aos seus padrões de movimento e habitat.

Ocasionalmente, as girafas em cativeiro são mortas por quedas de raios e chegam aos noticiários.

Em 2010, o conservacionista da Namíbia, Julian Fennessey, disse ao BBC News que “se você está no lugar errado e na hora errada, você é suscetível – não é que as girafas se destaquem como para-raios”.

Quais são os riscos em uma tempestade para os animais?

De certa forma, os relâmpagos são apenas mais um risco de estar ao ar livre durante uma tempestade.

Para a BBC, Fennessey lembrou de um incidente quando uma matilha de cães selvagens foi morta quando um raio atingiu a árvore sob a qual estavam se abrigando.

E em 2016, um raio e o choque que ele enviou matou mais de 300 renas na Noruega, escreveu Meilan Solly para a revista Smithsonian em 2018.

girafa

Os ataques diretos também não são a única forma de morrer por relâmpagos. Existem três outros:

  • um flash lateral, onde o relâmpago se curva lateralmente em um animal depois de atingir algo próximo;
  • um potencial de toque, onde a corrente elétrica atinge o animal se ele tocar o que foi atingido;
  • e um potencial de passo, onde a corrente elétrica se dispersa pelo solo e atinge qualquer coisa que esteja por perto.

Também há muito o que aprender sobre o próprio raio. Carl Engelking relatou para a revista Discover em 2016 que os cientistas ainda estão estudando como o relâmpago é iniciado nas nuvens de uma tempestade.

E a altura pode não ser o principal fator de queda de raios.

A verdade é que 27% do tempo, dependendo das condições, o objeto mais curto é atingido por um raio, em vez do objeto alto, diz o físico do Instituto de Tecnologia da Flórida Hamid Rassoul à revista Discover.

Ou seja, o novo estudo publicado no African Journal of Ecology não fornece dados que sugiram se a altura das girafas contribui para o risco de queda de raios, mas examina as mortes de girafas na reserva e apresenta questões que os especialistas em girafas podem querer pesquisar mais, como por exemplo:

Se as girafas correm mais risco de quedas de raios, elas aprenderam alguma estratégia para reduzir esse risco?

 

 

 



Fonte Socientifica

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