Casa Tecnologia Anatel pretende dedicar faixa de 3,8 GHz sem licitação para redes privadas

Anatel pretende dedicar faixa de 3,8 GHz sem licitação para redes privadas

por Alberto Lima


Agostinho Linhares, Gerente de espectro, órbita e radiodifusão da Anatel

A Anatel tem a intenção de disponibilizar a faixa de 3,7-3,8 GHz para o serviço limitado privado (SLP) – ou seja, redes privadas – sem necessidade de licitação. A área técnica está trabalhando na resolução 711, que anda em conjunto do edital do Leilão de 5G. “A intenção não é fazer leilão, mas disponibilizar para a empresa que quiser usar”, declara o gerente de espectro, órbita e radiodifusão da agência, Agostinho Linhares, durante live do portal Tele.Síntese nesta sexta-feira, 16.

Para coordenar isso, a agência precisa modernizar o sistema Mosaico, utilizado atualmente para outros tipos de relações de atacado. A promessa é que, dessa forma, possa ser organizado esse mercado sem causar problemas com outras redes. “Precisamos garantir que uma entrante não cause interferência”, destaca.

Porém, Linhares entende que a capacidade total pode ser maior do que a demanda real. “Eu acho que não será preciso 100 MHz [de capacidade] em um futuro próximo, por isso estamos avaliando”, declara. 

Por isso, ainda está em discussão na Anatel um acordo de cooperação com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para identificar os indicadores de desempenho chaves (KPIs, na sigla em inglês), além de outras demandas técnicas. Isso engloba largura de faixa, quantos megahertz e largura de faixa serão necessários para as aplicações de Internet das Coisas.

Em uso indoor, o SLP nessa faixa conviverá sem problemas com os enlaces satelitais na banda C. Porém, em uso externo, há problemas de interferência. Uma possibilidade é a de utilizar a outorga por polígono, inovação que veio com a resolução 671 e que permite a utilização de frequência, mesmo que sem destinação determinada, em uma área onde não exista possibilidade de interferência com o serviço de celular – por exemplo, em uma plataforma de petróleo no mar. Neste caso, a licença é de cinco anos, e pode ser concedida em caráter secundário.  

Outras faixas

A Anatel continua trabalhando na disponibilização de mais espectro para o SLP. Entre as novidades está o estudo de conceder 5 + 5 MHz na faixa de 400 MHz (410-415 MHz e 420-425 MHz). Isso seria uma “resposta ao 450 MHz que não está disponível”.

Além disso, estaria alinhado com o que a União Europeia está desenhando também para redes privadas. “Países da Europa já decidiram usar isso para utilities”, declarou Linhares. Segundo o servidor, a Anatel vê isso como mais um complemento à faixa de 250 MHz, que já está disponível, mas não tem padronização do 3GPP e conta apenas com uma solução nacional, desenvolvida pelo CPqD.

Já em fase final de avaliação na Anatel,  a atribuição de 10 MHz entre 2.485-2.495 MHz para o SLP. Linhares ressalta que se trata de desenho para baixa potência, mas em TDD e seguindo a padronização do 3GPP. O 2,5 GHz, vale lembrar, é utilizado pelas operadoras para o 4G desde 2012. 

White Spaces

Por sua vez, a minuta do uso de White Spaces está sendo finalizada e deverá subir ao Conselho em novembro, afirma Linhares. “A gente espera que não vá ter grandes mudanças em relação ao que foi para consulta. Mas a ideia é que seja admitido o uso tanto em VHF quanto UHF, mas com um banco de dados de onde estão os radiodifusores”, declarou.



Fonte Teletime

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