Casa Ciências Alguns blocos de construção da vida podem não precisar de estrelas para se formar

Alguns blocos de construção da vida podem não precisar de estrelas para se formar

por Alberto Lima


As estrelas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de moléculas orgânicas complexas – os blocos de construção da vida. No entanto, ao que se parece, exerce um papel menos essencial do que pensava-se anteriormente, conforme sugere um novo estudo publicado no periódico Nature Astronomy

Pensava-se que o aminoácido glicina, um dos mais básicos aminoácidos da vida na Terra, formava-se somente com a radiação das estrelas. Sem ele, a vida como conhecemos na Terra não existiria. Portanto, isso exigiria que um planeta orbite uma estrela a uma distância ideal, como a Terra.

A química escura

Química escura nada se relaciona com magia negra ou algo assim. Os cientistas chamam de química escura as reações que ocorrem sem o recebimento de energia. E eles acreditam que a glicina pode ser um dos elementos que comportam a “química escura”. Então, eles a detectaram, talvez, em um meteorito e na atmosfera de Vênus. Esses locais não recebem tanta luz do Sol.

“A química escura se refere à química sem a necessidade de radiação energética”, explica em um comunicado o autor principal do estudo, Dr. Sergio Ioppolo, da Queen Mary University of London.  “No laboratório, fomos capazes de simular as condições em nuvens interestelares escuras onde partículas de poeira fria são cobertos por finas camadas de gelo e subsequentemente processados ​​pelo impacto de átomos, causando a fragmentação de espécies precursoras e a recombinação de intermediários reativos”, completa.

O meteorito citado é um fragmento do Cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko, que possui, assim como todos os cometas, um período orbital gigantesco, e passa  a maior parte do tempo longe do Sol. Portanto, não recebe radiação contínua para formar as moléculas orgânicas complexas. E mesmo assim os cientistas localizaram a glicina por lá.

Antes de tudo, vale ressaltar que a glicina é um dos blocos de construção da vida, mas não necessariamente indica a presença de vida. Ela se forma naturalmente, e precede a vida, e não o contrário.

Os aminoácidos se “encaixam” para formar proteínas. (Pixabay).

Investigando os blocos de construção da vida

Inicialmente, os cientistas perceberam que a metilamina, precursora da glicina, formava-se também sem receber a radiação de uma estrela. Depois, com uma câmara de ultra-alto vácuo (um vácuo mais perfeito até mesmo do que algumas regiões do espaço), eles estudaram enfim se a glicina também se formaria. E, portanto, se formou. 

Depois, eles ainda confirmaram com um segundo experimento, bem mais aprofundado. Nesta segunda investigação, eles utilizaram modelos astroquímicos. Nesse modelo, eles conseguiram olhar de uma forma mais macro, extrapolando o tempo de algumas horas, no laboratório, para uma perspectiva que ocorre durante milhões de anos no espaço. 

“A partir disso, descobrimos que quantidades baixas, mas substanciais de glicina podem ser formadas no espaço com o tempo”, diz em um comunicado o professor Herma Cuppen, da Radboud University, em Nijmegen, nos Países Baixos.

“A conclusão importante deste trabalho é que as moléculas consideradas blocos de construção da vida já se formam em um estágio bem anterior ao início da formação de estrelas e planetas”, explica Harold Linnartz, diretor do Laboratório de Astrofísica do Observatório de Leiden. Ele destaca que isso é importante, pois ela se forma, estatisticamente, de uma forma consideravelmente bem distribuída pelo espaço. Quando formam-se os planetas, possivelmente a glicina já está ali. 

“Uma vez formada, a glicina também pode se tornar um precursor de outras moléculas orgânicas complexas”, diz o Dr. Ioppolo. “No final, esse rico inventário molecular orgânico se incorpora aos corpos celestes, como cometas, e entregues a planetas jovens, como aconteceu com nossa Terra e muitos outros planetas”.

O estudo foi publicado no periódico Nature Astronomy. Com informações de Science Alert e EurekAlert / Queen Mary University of London.



Fonte Socientifica

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