Casa Tecnologia 5G: estudo das operadoras afirma que migração custaria 7,8 vezes mais

5G: estudo das operadoras afirma que migração custaria 7,8 vezes mais

por Alberto Lima


Marcos Ferrari, presidente da Conexis. Foto: Sergio Dutti/ Telebrasil

Um estudo com parecer econômico da consultoria LCA e encomendado pela Conexis (ex-SindiTelebrasil) reafirma o que as operadoras têm falado: os custos da migração da banda C para a banda Ku são maiores do que uma solução de mitigação. No caso, 7,8 vezes maior, o que resultaria em um total aproximado de R$ 1,8 bilhão – contra R$ 224,1 milhões na migração -, ainda que considerando apenas os usuários afetados por possíveis interferências com a tecnologia 5G na faixa de 3,5 GHz. 

O argumento da LCA e das operadoras parte da premissa de se adotar a solução de filtro LNBF dos últimos testes de campo e que teria atendido aos critérios da Anatel. Porém, a consultoria e a Conexis não tiveram acesso ao mais recente relatório da área técnica da agência, que determinaria que os custos e prazos da mitigação seriam semelhantes ou equivalentes ao da migração. 

“Não tivemos acesso ao estudo da área técnica, então usamos o que é público – a portaria e o recorte técnico”, declara o presidente da Conexis, Marcos Ferrari. Trata-se da Portaria MCTIC 418 de janeiro deste ano, especialmente nos artigos 3º e 4º, e que estabeleceu diretrizes para o leilão de 5G. O recorte técnico foi da população vulnerável inscrita no CadÚnico e que é atendida pela TV aberta apenas pela TVRO, proporção obtida com o cruzamento de base de dados das pesquisas PNAD Contínua e PNAD TIC. 

Diferenças

Dessa forma, segundo a LCA, o cenário da mitigação é mais adequado segundo os seguintes pontos:

  1. Os equipamentos têm custo médio por usuário de R$ 196, dos quais R$ 76 seriam do equipamento e R$ 120 seriam dos serviços de mão de obra e deslocamento
  2. Permite a delimitação de público elegível, conforme a portaria 418, de integrantes do CadÚnico, que acessam TV aberta exclusivamente por TVRO e estão localizados em área de efetiva interferência do 5G; totalizando assim 1,375 milhão de domicílios
  3. Considerando uma expansão do 5G similar a do 4G, o custo total de equipamentos nesse recorte elegível é de R$ 224,1 milhões, reduzindo assim o custo escalonado para média de R$ 162,92 por usuário ao longo do tempo
  4. Levando em conta usuário afetado não elegível, seriam 6,043 milhões de domicílios, elevando os custos totais de R$ 1 bilhão.

Essa conta desconsidera custos operacionais para implementação da medida, como a constituição da Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz (EAF) e custos associados à gestão, comunicação e logística. Porém, isso também está desconsiderado no caso da transferência de acessos para a banda Ku.

Assim, o cenário de migração não atenderia às diretrizes da Portaria 418, segundo o levantamento. O cenário considera:

  1. Custo médio por usuário de R$ 482,81, composto por R$ 279,48 com o kit de recepção (antena parabólica, LNBF da banda Ku, receptor e cabo coaxial RG59/RG6) e R$ 203,33 com mão de obra e deslocamento
  2. O total de domicílios seria 251,7% maior, uma vez que atingiria toda a base da banda C que necessariamente precisaria migrar para a Ku – ou seja, 4,838 milhões de domicílios
  3. Com as mesmas premissas de escalonamento, chega-se a um total de R$ 1,8 bilhão, o que é 7,8 vezes maior do que a mitigação. Ao longo do tempo, o custo médio cai para R$ 362. 
  4. Custo para usuário afetado não elegível considera 11,826 milhões de domicílios, com um total estimado de R$ 4,4 bilhões.

Há elementos adicionais na migração que a LCA considera como “custos para a sociedade, riscos ao cronograma para o 5G e para ambiente de negócios”. Isso porque haveria um período de dupla iluminação das bandas C e Ku, remanejamento de canais em operação, digitalização de canais analógicos e risco de competição assimétrica com empresas de DTH. Neste último caso, o embasamento é que as empresas de TV por assinatura que operam na banda Ku enfrentariam concorrência das que migrariam com oferta de forma gratuita, mas sem as mesmas obrigações regulatórias do SeAC, conforme noticiado por TELETIME



Fonte Teletime

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